Hoje eu concluí o meu plano. Graças a Deus, não tive muito problema em fazê-lo. Faz um tempo que eu decidi que deveria fazer isso. Parece coisa de cinema, sabe? Onde você acorda numa manhã e, simplesmente, descobre que o melhor a se fazer não é esquecer de quem você gosta, e sim, fazer com que quem você gosta te odeie.
Eu sei que isso é meio cinematográfico e infantil, mas eu já não suportava mais o peso que esse sentimento me fazia carregar. Quando eu estou conversando com ele, eu me sinto o lixo mais podre do mundo todo. Sinto como se eu fosse um ser desprezível, digno de pena e outros sentimentos inferiores. Ele me faz sentir assim ou eu fiz com que ele me desprezasse? Eu não sei e não quero saber.
Há alguns meses, eu acordei, após mais um sonho onde tudo era lindo e azul, e pensei que eu tinha que fazê-lo me odiar, porque mesmo quando eu o odiava, não conseguia ser cruel. Mas ele conseguia. E se ele fosse cruel comigo, quem sabe meu coração não se revirasse de angústia e ódio e esse sentimento estúpido que eu carrego até hoje pudesse, simplesmente, sumir?
E fiz. Aguardei pacientemente por cada fala, reclamei metodicamente sobre tudo, inventei assuto para falar sobre nada. Fui nojenta, fui insistente, fui chata, fui reclamona, fui egoísta, fui impulsiva. Fui muito eu. Aflorei todos os meus defeitos e enfiei uma máscara contendo tudo o que ele não suporta sobre mim. E fui assim, só pra ele, só assim.
Consegui guardar esse segredo, fui forte. Não contei a uma alma viva. Agora eu preciso desabafar, ou sinto que vou morrer. As pessoas me reprovariam, mas e daí? Quem é que realmente e ajuda quando eu estou precisando? Eu. Então somente eu tinha o direito de saber o que estava fazendo.
A cada noite que ele me tratava mal, eu chorava e chorava e chorava. Pensava que aquilo doía muito mais do que, simplesmente, esquecer tudo isso. Mas se eu tinha consciência de que, para mim, era muito difícil sumir e, simplesmente, esquecer, eu tinha certeza de que se ele quisesse, ele realmente faria isso.
Ensaiei umas recaídas, mas fui segura naquilo que queria. Fui muito forte. O contato físico me fez balançar. Hesitei, pensei em abrir o jogo, mas quem acreditaria? Afinal de contas, eu estava realmente sendo eu mesma. Só que numa versão trinta mil vezes piorada.
Hoje eu acho que consegui o que eu queria. Ele vai sumir e para sempre. O meu sentimento continua aqui e vai continuar por um tempo ainda. Mas vai passar. E sabendo que ele não me suporta, vai pasar mais rápido ainda.
Eu estou totalmente consciente de que, optando por isso, eu perco a amizade de alguém que eu gosto, mas e daí? Digo, E DAÍ? Ele nunca pareceu se importar mesmo. Se se importou, foi em silêncio. O que, para uma pessoa absurdamente insegura como eu, é o mesmo que não dar a mínima.
Mas agora já está tudo feito, eu não tenho do que lamentar. Afinal de contas, tudo deu certo como eu planejei. Ele não me suporta mais, eu continuo com o frescor de um sentimento que, um dia, eu gostei de ter.
No fim de tudo, eu realmente tenho certeza de que ele perdeu muito. Perdeu o que muitas pessoas procuram e nunca encontram: um amor sincero. Meio doido, mas sincero. Tão sincero que, se você me perguntar o motivo de eu gostar dele (ainda que seja menos agora), eu não sei te responder. Não há nada de extraordinário nele. Ele não é um príncipe e isso realmente nunca foi o que eu esperei dele. Posso citar milhões de defeitos e poucas qualidades, mas, ainda assim, eu gosto. Não me importa se não temos nada a ver, eu gosto.
Mas desejo não gostar mais. E sei que vou conseguir, é só uma questão de tempo.
Graças a Deus os blogs existem. E agora eu digo que não coloquei o nome dele aqui, porque quando alguém me perguntar para quem eu escrevi essas linhas cheias de drama, eu espero que eu já tenha esquecido.
I am taking back my life.
domingo, 29 de novembro de 2009
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